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Aquecimento global pode ter impacto negativo na saúde, aponta relatório

Documento assinado por 27 entidades faz prognóstico de mais problemas cardiovasculares e renais

Publicado no dia: 29/11/2018
Aquecimento global pode ter impacto negativo na saúde, aponta relatório
A saúde da população brasileira está ligada à floresta Amazônica”, afirma um amplo relatório sobre o efeito das mudanças climáticas sobre a saúde humana. Problemas mentais, riscos cardiovasculares e doenças transmitidas por vetores podem ser agravados pelo que virá a ser o clima no futuro. 

As conclusões fazem parte do estudo Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change (em tradução livre, Acompanhando os Progressos em Saúde e Mudanças Climáticas), lançado anualmente desde 2016. 

O estudo recém-publicado conta com a participação de 27 instituições, da ONU e de agências governamentais de todos os continentes. 

O relatório —especificamente a parte que fala sobre o Brasil— afirma que, mesmo não levando em conta dados sobre desmatamento, o caso brasileiro merece menção para ilustrar as relações críticas entre mudança climática, destruição de florestas e saúde. 

As mudanças do uso da terra —desmatamento, em linhas gerais—, junto a agropecuária, eleva as emissões do país e, consequentemente, contribui para o aquecimento global. 

“Muitas vezes não relacionamos o quão grave é desmatar e quanto isso afeta a saúde das pessoas, quanto reduz a expectativa de vida”, diz Mayara Floss, uma das pesquisadoras que escreveu o documento. 

No caso do Brasil, dados mostram que há relação entre o fogo na Amazônia, doenças respiratórias e o aumento de admissões em hospitais durante o período de queimadas.

“Para cada quilômetro quadrado de mata que derrubamos, há descobertas que deixamos de fazer”, diz Floss, membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, uma das organizações que participou do estudo —junto aos também brasileiros Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). 

Em nível global, o estudo da Lancet afirma que as tendências apontam um “risco  inaceitável” à saúde atual e futura da população.

Por exemplo, as ondas de calor estão entre os principais elementos que podem trazer problemas à saúde. Segundo a pesquisa, em 2017 (em comparação a 2000), 157 milhões de pessoas a mais foram atingidas de alguma forma. No Brasil, observa-se que essas ondas foram mais intensas nos anos de 2014 e 2015 e calcula-se que a Amazônia deve ser particularmente impactada pelas altas temperaturas no futuro. 

As regiões mais propensas às complicações de saúde, porém, são Europa e o Mediterrâneo oriental. Espera-se que haja aumento de problemas cardiovasculares e renais, por exemplo.

Uma das explicações para a susceptibilidade é a presença nessas áreas de populações com mais de 65 anos vivendo em áreas urbanas, o que aumenta os riscos. Crianças, mulheres grávidas e pessoas com diabetes e doenças respiratórias crônicas também são consideradas mais vulneráveis às ondas de calor.

Fora os problemas de saúde, a força de trabalho também será impactada. O relatório documenta que, em 2017, 153 bilhões de horas de trabalho foram perdidas por esse motivo. Quem mais sofre com isso no Brasil são os trabalhadores agrícolas.

Emissões de gases-estufa

Os efeitos das mudanças climáticas já podem ser vistas no presente em eventos como os incêndios que se alastraram pela costa oeste dos EUA e nas mortes recentes na Europa devido ao calor.

Para o Brasil e América Latina, além de inundações e secas, outra grande preocupação são doenças transmitidas por vetores —leia-se dengue, febre amarela, zika, chikungunya e outras arboviroses. 

De acordo com o relatório, em 2016, a capacidade de transmissão dos vetores da dengue (considerando que a distribuição de mosquitos transmissores é afetada por temperatura, chuvas e grau de urbanização) foi a maior já registrada na história. No Brasil, entre 1950 e 2010, a do Aedes aegypti aumentou 6% e a do Aedes albopictus, silvícola, em 11%.

O impacto das mudanças climáticas sobre a saúde mental também foi abordado. Dependendo da intensidade, frequência e duração de eventos extremos, pode-se ter um aumento no problema. O estudo afirma que há evidências de que ondas de calor podem fazer crescer o número de suicídios.

A pesquisa conclui que, mesmo já havendo preocupação em fóruns mundiais quanto ao tema, as adaptações para o novo panorama ainda são lentas e dispõem de menos recursos do que o desejável.

Fonte: Folha de SP

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